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Avaliado no Brasil em 27 de julho de 2020
Em Malorie, sequência de Caixa de pássaros, conhecemos a vida da protagonista doze anos após sua chegada na escola para cegos. Agora ela vive em um acampamento apenas com os filhos, que estão com 16 anos, mas o mundo continua o mesmo: ao olhar para uma criatura misteriosa, as pessoas tiram a própria vida de maneira brutal; portanto, o melhor a se fazer é não abrir os olhos.

Os três vivem sob regras rígidas de segurança até que, um dia, um homem desconhecido bate à porta, deixando para trás documentos com informações valiosas, inclusive a de que pessoas que Malorie acreditava estar mortas, na verdade, estão vivas. Então, ela terá que tomar a difícil decisão de se manter segura ou partir em uma nova viagem cheia de riscos em busca de esperança.

Se você é daqueles que procura explicações sobre as criaturas ou o que originou tudo isso, saiba que não vai encontrar aqui; o foco são Malorie, Tom e Olympia, três pessoas com maneiras completamente diferentes de lidar com um mundo que caiu na escuridão.

Malorie, há mais de uma década, segue fielmente as regras de não abrir os olhos e não confiar em ninguém. Olympia é cuidadosa e demonstra respeitar as imposições da mãe. Já Tom é inquieto e inconformado com o mundo em que vive. Essas diferenças criam conflitos entre os personagens. Porém, a descrição deles é tão boa que é perfeitamente possível compreender e até se identificar com cada um.

Essa sequência é menos eletrizante que o primeiro livro, mas ainda carrega uma atmosfera de suspense que te mantém curioso o tempo todo. É inevitável comparar a história com o que vivemos atualmente: o medo do desconhecido, a sensação de impotência, as crescentes incertezas. As vendas deles são as nossas máscaras.

Malorie diz que, pós-criaturas, a sociedade se dividiu entre pessoas prudentes e imprudentes. A obra ainda mostra que, embora as criaturas sejam terríveis, o homem é a criatura a ser temida. Hoje, aqui, não são os seres humanos imprudentes as verdadeiras criaturas a serem temidas? Contudo, o final do livro tem um tom de esperança que fez toda a jornada valer a pena pra mim – e até pensar que há esperança para o nosso mundo.
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