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Avaliado no Brasil em 10 de maio de 2020
Interessante obra para se conhecer o início do historicismo de Marx, assim como do socialismo científico, ou seja, o marxismo. Marx demonstra como até então (cerca de 1870), a história só era estudada a partir da ideologia da classe dominante, mas não a partir da realidade das pessoas em seu dia-a-dia; ou seja, para Marx, a História acontece e é feita a partir do chão de fábrica, dos afazeres das pessoas, da práxis. Assim, o mote do livro é contrapor a ideologia/filosofia e o materialismo que, conforme Marx, é a ciência que estuda a história a partir das ações (práxis) das pessoas reais, de carne e osso, ou seja, de baixo para cima. A ideologia é a filosofia no campo das ideias, impostas de cima para baixo e, destarte, desvinculada da verdade do dia-a-dia do homem:

"É onde termina a especulação, isto é, na vida real, que começa a ciência real, positiva, a expressão da atividade prática, do processo do desenvolvimento prático dos homens. As frases vazias sobre a consciência se encerram, e um saber real passa a ocupar seu lugar. A filosofia autônoma perde seu meio de existência, quando se expõe a realidade. Em seu lugar pode aparecer, eventualmente, um resumo dos resultados mais gerais que se deixam abstrair da consideração do desenvolvimento histórico dos homens."

No prefácio, os autores criticam Hegel: "Hegel tornou pleno o idealismo positivo. Para ele, não apenas o mundo material tinha-se transformado em um mundo das ideias e toda a história, em uma história das ideias. Ele não se limita a registrar as coisas do pensamento, mas procura também expor o ato de produção. ... Todos os críticos filosóficos alemães dizem que os homens reais têm sido dominados e determinados até agora por ideias, representações e conceitos, e que o mundo real é um produto do mundo ideal." Interessante lembrar Mises, que cunhou que "Ideias, e somente ideias, podem iluminar a escuridão.

Ora, em 1870 os autores contrapõem o materialismo e o idealismo, mas 150 anos depois vemos que, o materialismo foi a ideia que fomentou o comunismo, este derrotado pela própria História. Gramsci percebeu o poder das ideias e, através do marxismo cultural, fez que as ideias socialistas moldassem as gerações através, justamente, do plantio de ideias na educação dos jovens e na produção de cultura. Gramsci prova que Marx & Engels estavam errados.

Sobre alguns conceitos tratados no livro, vemos a origem de certas ações do comunismo; vejamos sobre a divisão do trabalho:

"Por isso, desde o momento em que o trabalho começa a ser dividido, cada um dispõe de uma esfera de atividade exclusiva e determinada, que lhe é imposta e da qual não pode sair; o homem é caçador, pescador, pastor ou crítico crítico, e aí permanecerá caso não queira perder seus meios de sobrevivência - já na sociedade comunista, onde o indivíduo não tem uma única atividade, mas pode aprimorar-se no ramo que o satisfaça, a produção geral é regulada pela que me dá a possibilidade de hoje fazer determinada coisa, amanhã outra, caçar pela manhã, pescar à tarde, criar animais ao anoitecer, criticar depois do jantar, segundo meu desejo, sem jamais me tornar caçador, pescador, pastor ou crítico."

Ou seja, a raiz da ineficiência e a prova que o comunismo leva ao regresso, e não ao progresso podem ser identificados nessas palavras. Ora, se todo mundo fizer só o que quiser, uma hora a vadiagem e a falta de víveres se espalhará. A criticada divisão do trabalho, a especialização das pessoas em trabalhar em somente uma coisa, o taylorismo, o fordismo, o recente toyotismo, enfim, toda essa coisa de divisão do trabalho que trouxe o progresso, eliminou a pobreza e aumentou o acesso das pessoas a vários produtos.

Também há bastante crítica à burguesia:

"Por isso, cada nova classe que ocupa o lugar da que dominava anteriormente vê-se obrigada, para atingir seus fins, a apresentar seus interesses como sendo o interesse comum de todos os membros da sociedade; ou seja, para expressar isso em termos ideais; é obrigada a dar às suas ideias a forma de universalidade, a apresentá-la como as únicas racionais e universalmente legítimas."

Veja bem, ao criticar a ascensão da burguesia contra a nobreza rural feudal, a burguesia que combateu o poder desmedido do clero e da nobreza, podemos inferir uma das coisas que o comunismo combate: a ascensão das pessoas. Ao demonizar o progresso material de uma sociedade, ao combater sistematicamente a meritocracia, ao promover os privilégios, o comunismo traz o ostracismo. Por exemplo, a vitória do Dória para a prefeitura de São Paulo, em 2016, derrotando o marxista Haddad, prova o que o povo quer: trabalhar para melhorar de vida, para progredir, para poder comprar um veículo, para sair do aluguel ou da favela, para melhor poder estudar os filhos, etc. O povo está cansado da promessa de que a revolução trará liberdade, pois o que liberta mesmo, é a verdade. E a verdade é que as pessoas querem melhorar de vida, e isso acaba trazendo a tão demonizada desigualdade. O pobre quer melhorar de vida e, se possível, se tornar um "burguês"; se não conseguir, pelo menos os seus filhos conseguirão; veja só, cada geração é mais rica que a anterior, os filhos normalmente ganham mais do que os seus pais ganhavam.

Enfim, a História, depois de 170 anos, provou que o comunismo estava errado, e que, na verdade, não passava também, de uma ideologia.

P.S.: não sou filósofo nem historiador formado na área, então, por favor, se quem leu a minha resenha tem um comentário, fique à vontade!
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