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Avaliado no Brasil em 8 de abril de 2021
“No silêncio era possível ouvir uma torneira pingando longe.”
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Em Morangos mofados, Caio Fernando Abreu abre a capela das confissões mal-ditas, registros de um tempo onde o Brasil caminhava para fora da escuridão da ditadura militar, com uma esperança opaca. E é por meio desses contos que conservam em sua ficção, algo de relato privado e sussurros noturnos, que Caio expurga as angústias e o desassossego de uma geração.

Tateando as paredes de suas cavernas sombrias, as personagens de Morangos mofados entre doçuras e azedumes, pagam em dia sua porção de dor e devoção. Em uma recusa feroz, afirmam a vida em sua condição precária, e se mostram vivos em toda sua vulnerabilidade. A insistente goteira do desejo permeia toda a obra.

Apesar de muito distintos, os 18 contos possuem uma unidade, onde a possível chave de leitura reside na radicalidade do autor de se lançar em quedas livres, para depois aglutinar os seus cacos reluzentes. A edição ainda conta com uma carta esclarecedora de Caio a um amigo e um posfácio excelente.
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É estranho eu só descobrir essa jóia agora, já que é um livro aclamado e um jovem clássico brasileiro. Mas acho que essa leitura me encontrou no momento propício, um tempo de introspecção, onde luto por um pouco de ar e contra o tédio do confinamento. Foi uma primeira leitura inesquecível. Excelência gay oitentista, cigarros, rouquidão, telefonemas perdidos e um coração despedaçado.
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