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1000 PRINCIPAIS AVALIADORES
Avaliado no Brasil em 4 de março de 2021
Este livro segue o mesmo formato do livro anterior: a história é formada por contos que são distantes entre si na linha temporal, mas este parece ter uma cronologia mais linear do que o primeiro livro.
Nessa história, o autor quase não nos mostra mais o que o Gerald faz, mas sim quem ele é. Então o foco não é mais na caça aos monstros e nos trabalhos de Gerald, o foco agora é nas relações entre os personagens e na construção política.
Por mais que seja dito que os bruxos não tem emoções, o que mais tem nesse livro são emoções. Aqui encontramos um Gerald muito mais abalado por seus sentimentos e lutando para não demonstrá-los. Ele flutuou bastante entre depressão e ira, principalmente nos primeiros 33%. Entendo que, por ter negado isso ao longo de toda a sua vida, nesse início Gerald ainda está aprendendo a sentir e está confuso com o reboliço de emoções que estão surgindo. Chega a parecer que ele está passando pela fase da adolescência e isso tornou o início extremamente cansativo e cheio de intriguinhas bobas que se assemelham à coisas que acontecem em livros juvenis.
Outra coisa que me incomodou nesse início foi a grande quantidade de menções sobre estupro. Não que eu não saiba que, na era medieval, o desrespeito para com as mulheres era realmente comum e não que o autor tenha colocado o estupro como algo positivo. Mas não gostei dessas descrições frequentes, porque me faziam criar imagens mentais terríveis e elas não foram nada necessárias para o curso da história.
Após os difíceis 33%, o livro vai melhorando aos poucos, mas continua mediano até chegar em 65% da história. Até que eu poderia considerar esse meio tempo como uma boa parte do livro, se não fosse por uma situação extremamente incômoda que acontece ali. Em dado momento, surge uma mulher que se apaixona perdidamente por Gerald, mas sua paixão obviamente não é retribuída. E estaria tudo bem, se o Gerald não fosse pressionado a “fazer um pequeno sacrifício” e se relacionar sexualmente com ela. Para mim, Gerald foi claramente vítima de abuso, mas vejo que muitos leitores romantizaram essa situação. Eu gostaria muito de saber como as pessoas reagiriam se fosse uma personagem mulher sendo pressionada a fazer sexo com um homem, com o qual ela não queria fazer. Será que nesse caso os leitores aceitariam que foi um abuso?
A trama é permeada pelo mantra “não tem como fugir do destino” e, com isso, podemos ver o grande medo que Gerald tem de enfrentar o destino. Tanto seu próprio destino, quanto o destino de seu relacionamento com Yennifer. Aliás, a feiticeira aparece muito mais neste livro do que no anterior, porém não é mostrada de forma aprofundada e eu senti falta de entender a construção de sua personalidade. Jaskier também aparece bastante e, incrivelmente, era ele a voz da razão em determinados momentos onde os personagens estavam agindo como crianças bobas. Isso me surpreendeu bastante.
Passei todo o começo (e meio) do livro pensando em desistir ou em terminar e não dar continuidade na série. Então cheguei nos últimos 35% do livro e as reviravoltas incríveis me fizeram ficar com vontade de já pegar o próximo livro para ler. Ainda assim, não acho que esse final incrível possa sobrepujar o cansaço que tive ao ler todo o resto e, como disse Jaskier “Não existe uma segunda oportunidade para causar a primeira impressão”.
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Detalhes do produto

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