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Avaliado no Brasil em 20 de janeiro de 2015
Sejamos honestos. Dizer que leu um livro de Nietzsche gera até um pouco de respeito. Considerado um homem bem acima da média e bem a frente de seu tempo, é um filósofo de controvérsias e admiradores.
Contudo, o próprio Nietzsche afirma, em outras obras, admirar quem tem a coragem de contestá-lo. Não escreveu para que concordem passivamente, como muito se vê. Mas para ser contestado.
E vou tomar a dianteira aqui.
A leitura de "O anticristo" me deu dó. De Nietzsche, sim. Me decepcionou. Sei que ele pode - e poderia - fazer muito mais, fazer muito melhor. Seja para criticar o Cristianismo ou qualquer outro tema.
Mas Nietzsche pareceu neste livro, uma criança revoltada. Abusou de eufemismos, de exageros. E suas conclusões são muito mais especulativas do que científicas. Parte de pressupostos não comprovados e de julgamentos próprios. Julga que todos os sacerdotes cristãos são enganadores por decisão própria, conscientemente. Lógico que há sacerdotes, de todas as religiões, que não são flor que se cheire. Há, como não poderia deixar de haver, os que erram. Mas daí a escrever um livro partindo da premissa que TODOS fazem o mal deliberadamente, é por demais contrário ao que o próprio Nietzsche prega em suas obras. Neste livro, o autor desceu muito baixo em meu conceito. Parece que este livro é um grito ao mundo, com vontade de criar celeumas e aparecer.
Novamente, gostaria de dizer à Nietzsche: Você pode fazer um trabalho muito, muito melhor do que este fraco livro, que serviu de inspiração para muitos jovens, ainda sem um personalidade totalmente definida, que levantam este livro como um troféu de demonstração que são polêmicos e acham bonito ser ateus (como se ter ou não fé fosse uma qualidade ou defeito que torna alguém melhor ou pior. Conheço excelentes ateus e péssimos cristãos, como também o inverso). E se escondem, na sua falta de argumentos válidos para um cristão, atrás deste livro, como se Nietzsche fosse o detentor da verdade suprema e inquestionável (justamente um dos pontos atacados no livro).
Vale a pena ler. Mas seja crítico. Não é porque é o Nietzsche quem diz que você não deve refletir se faz sentido.
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