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Avaliado no Brasil em 2 de agosto de 2017
Difícil achar por onde começar...

Pô, de uns tempos pra cá, quem viveu o universo nerd dos anos 80 tem tido leituras interessantíssimas. Marvel Comics, A História Secreta é uma delas.

O lance chave do livro inteiro é que tudo o que acontecia no mundo real tinha reflexo imediato nos quadrinhos. E não estou falando de fatos históricos como Vietnã, Guerra Fria e Discoteca. São os embates entre escritores, diretores, desenhistas. Conflitos épicos!

Muita gente nasceu profissionalmente dentro da Marvel. Criou seus filhos alí (seus personagens) e fui cuspida com uma mão na frente e outra atrás. O tratamento que deram ao Jack "The King" Kirby não foi legal (tanto do ponto de vista jurídico quanto cool) , essa parada de "work for hire", de criar coisas e o empregador se tornar o autor não é uma jogada das mais inteligentes pro trabalhador criativo. Parece simples mas foi um problema que permeou o nascimento da Marvel (começando com os personagens "alugados" Namor e Tocha Humana) até os loucos anos 90, com as grande estrelas que fugiram e se tornaram a Image Comics.

Uma das coisas que mais me impressionou, minha saga favorita dos quadrinhos, que lí quando era criança e nunca mais me esqueci: Guerras Secretas (um ser muito poderoso rapta heróis e vilões da Terra e os fazem lutar entre sí em troca de seus sonhos realizados) foi uma história criada por um editor megalomaníaco que queria mostrar aos seus funcionários como se faziam as coisas, que, já que ninguém criava nada de bom na editora, queria mostrar que ele sozinho iria ajeitar as coisas. Um cara que entrou lá como assistente do Stan Lee, super humilde, ajudando todo mundo e terminou odiado pela equipe inteira. Seu nome? Jim Shooter, o "Trouble Shooter".

X-Men? Série prestes a ser cancelada. Mais heróis como quaisquer outros, a diferença que já nasciam com super poderes. O Stan Lee ainda criou tornar a trama paralela à discussão racial em voga (com o professor Xavier agindo como o pacifista Martin Luhter King e o Magneto com atitudes mais diretas, a exemplo do Malcom X). Veio Chris Claremont, introduziu outros personagens, inclusive Wolverine. Trouxe dramas psicológicos quando antes as histórias eram meros confrontos entre super-seres. Criou Kitty Pryde com toda a rebeldia universal da adolescência. Levou a franquia X lá pra cima.

Homem Aranha? Stan Lee queria mais Aranha, Steve Ditko queria mais Peter Parker. Brigaram. Produziram algum tempo juntos, sem nem se ver pessoalmente ou se falar.

Enfim. O livro é realmente rico, uma paulada de páginas muito bem escritas. E muita história marvel das mais malucas passam a fazer sentido. GRANDE OBRA!!
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