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1000 PRINCIPAIS AVALIADORES
Avaliado no Brasil em 30 de junho de 2020
[ALERTA DE SPOILERS]

- SOBRE A HISTORIA -

Já começo esse pequena analise deixando bem claro que: sou completamente a favor de representatividade nos video games. Não tenho absolutamente nada contra a isso e já estou completamente ambientado, há muito tempo, com essa ótima característica dos jogos da Naughty Dog. Desde a DLC do primeiro TLOU, dá pra perceber a coragem da empresa em mostrar seu posicionamento, isso é louvável, mas... também não precisava arruinar o legado do primeiro TLOU para dar mais ênfase a esse tal posicionamento.
Nesse TLOU 2, o roteiro/direção perdem a mão e deixam de lado uma excelente oportunidade para dar continuidade a dupla Ellie e Joel, de forma satisfatória, coerente com o primeiro jogo. The Last of Us Parte 2, nitidamente, está mais preocupado em temas sociais e na modinha hollywoodiana de "subverter expectativas" do que contar uma boa história.
Mais opções de acessibilidade no gameplay, diversidade de etnias para os personagens, críticas ao fanatismo religioso, mostrar o amor e alguns dos preconceitos sofridos pelo público LGBTQ+, é sem dúvidas fatores genuínos e importantíssimos a serem incluídos, discutidos, mas os fãs mereciam uma continuação digna do primeiro TLOU; Não é o caso nesse novo jogo. O game tem uma história muito forçada, com um invólucro progressista, para dar um "check" na agenda política do diretor/Naughty Dog e consequentemente tentar blindar o TLOU 2 das críticas, com o argumento de: "Se não gostou, você não entendeu ou é preconceituoso". A dupla Ellie e Joel, perdendo o pódio de melhor dupla do mundo dos jogos apenas para Mario e Luigi, realmente merecia muito mais que esse roteiro meia boca do TLOU 2.

Até a primeira metade do jogo TLOU 2 é excepcional(com exceção do Joel ser transformado em um imbecil, aceitando logo de cara, depois de ter ajudado Abby, ir para o local da sua futura morte sem desconfiar de absolutamente nada) mas infelizmente o roteiro força a barra na segunda metade do jogo, fazendo o jogador controlar Abby, a mulher que mata Joel logo no começo. Do meio para o final só foca praticamente nela e, infelizmente, Abby, sua história e seu núcleo carecem de carisma e tempo para que o jogador tenha qualquer tipo de empatia com suas motivações e dores.
O dedilhado da trilha sonora( composta por Gustavo Santaolalla) é simplesmente diluído no decorrer da trama da Abby. Chega ser uma afronta os desenvolvedores colocarem uma trilha MARCADA pela dupla Ellie e Joel em cima dessa nova personagem e sua trupe. Não funciona, não combina. Isso foi mais uma tentativa pra ver se o jogador se comove com o background dela, mas só passa mais impressão ainda que a personagem acabou de chegar e, quer por que quer, bater de frente com o carisma de Ellie e Joel, já estabelecido e amado por todos anteriormente, por um jogo INTEIRO dedicado pra eles! Não colou, Naughty Dog, sério.

Entendo que The Last of Us não pode ser resumido apenas a Joel e Ellie, mas o problema foi a Naughty Dog apresentar esses dois personagens FANTASTICOS no primeiro jogo e querer, de uma hora pra outra, forçar que o jogador veja eles como os grandes malditos, o verdadeiro problema, colocando nas costas de praticamente um NPC, Abby, o peso pra empurrar essa Parte 2 pra frente. Pura decepção e tamanha covardia do roteiro em apostar numa mensagem de "vingança só vai levar você para destruição", para agradar um certo público e a visão mais paz e amor do diretor , e não dar ao jogador o que ele realmente QUER desde o início do jogo: vingança pelo Joel, exterminar a Abby. Não é questão de sadismo, de ser "do mal", de querer "mais um roteiro clichê sobre vingança", de estar "morto por dentro" por não sentir empatia pela morte do pai da Abby e seus próximos, mas o primeiro The Last of Us estabelece laços com o jogador que nem mesmo a Abby, como toda sua trajetória trágica, consegue estabelecer. Por isso que... novamente... The last of Us não é apenas sobre dois personagens, mas foram esses dois personagens que colocaram toda a história pra andar no primeiro jogo, que fizeram o TLOU ser GIGANTE no meio gamer, pra agora simplesmente o diretor querer forçar que os jogadores se desvinculem da Ellie e do Joel pra dar tapinhas no ombro de uma nova personagem? Não é assim que a banda toca, meu chapa!

- SOBRE O GAMEPLAY -

O gameplay do TLOU 2 é excelente, o desing de som do jogo é fantástico, não percebi nenhum tipo de "bug", o jogo é bem polido e tem provavelmente as melhores animações dessa atual geração de video games, mas deixa a desejar em certos aspectos. São eles:
1- Repetição da estética(modelagem) de alguns inimigos, dando a impressão ao jogador de: "Ei, pera ai, eu já não matei esse cara 10 minutos atrás?";
2- "Unchartetização" do The Last Of Us pelo uso exagerado de animações que remetem mais a jogos e filmes clássicos de aventura, como Tomb Raider e o próprio Uncharted. Aquelas animações que o jogador é surpreendido com o personagem caindo em outro cenário pois estava em um piso que desmoronou ou em um duto de ventilação velho são um bom exemplo disso. E por muitas vezes, em momentos de ação, a Ellie parecia muito o Nathan Drake;
3- Obrigar o jogador perder todas as sua melhorias na campanha da Ellie(nas armas, itens e etc), para começar tudo de novo na campanha da Abby;
4 - Desbalanceamento de alguns inimigos em dificuldades superiores ao normal. Alguns deles chegam a ter quase que um "sentido aranha", por nem enxergar o jogador direito no ambiente e já tá avisando pra geral sobre a localização da Ellie ou Abby, por exemplo;
5 - Além da campanha da Abby ser bem desinteressante, boa parte da gameplay nela é bem cansativa e repetitiva. O jogo coloca em Abby o arquétipo de "personagem militarizado", logo... é necessário bem mais partes de ação e combates na visão do diretor, deixando de lado o terror e o suspense da campanha da Ellie(essência de TLOU), lembrando muito a campanha de Chris Redfield em Resident Evil 6, que é simplesmente sair por ai atirando na cabeça de geral com uma história fraca de background.

- CONCLUSÃO -

Ficou bem claro que o Neil Druckmann(roteirista/diretor) estava mais afim de ir nessa onda de "desconstrução" e "quebrar expectativas", como no péssimo filme Star Wars - The Last Jedi dirigido por Rian Johnson, do que dar uma continuação digna para Joel e Ellie. Ele nitidamente não conseguiu arcar com um MONSTRO que ele criou no primeiro jogo: dois personagens extremamente cativantes.
Pra mim, Abby continua sendo a mulher que matou Joel, o pai dela continua sendo apenas o cara que iria abrir a cabeça da Ellie no primeiro jogo e, Joel continua sendo, mesmo morto, MAIS IMPORTANTE que todos os mortos/vivos do núcleo da Abby.
Se Ellie e Joel são agora os grandes "vilões" aos olhos de todos... quer saber? Depois da decepção de TLOU 2, eu fico do lado desses "vilões". Joel matou foi pouco!

[ANALISE MAIS DETALHADA SOBRE O JOGO NO CAMPO DOS COMENTARIOS]
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Detalhes do produto

4,9 de 5 estrelas
4,9 de 5
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