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50 PRINCIPAIS AVALIADORES
Avaliado no Brasil em 12 de julho de 2020
 ་ 🗡 ་ Avaliação do e-book Kindle. Hamlet; Ed. L&PM, tradução de Millôr Fernandes.

 ་ 🗡 ་ Texto da edição em bom estado. Notei falhas em dois ou três pontos — um deles na cena do cemitério, em que o nome de Laertes foi trocado pelo de Hamlet, fazendo o príncipe da Dinamarca ter duas falas seguidas e pular duas vezes para dentro da cova aberta de Ofélia.
 ་ 🗡 ་ A peça original compõe-se de versos de dez sílabas (pentâmetro iâmbico) mas com poucas rimas — normalmente estas aparecem em frases “de efeito”, dísticos no final de uma ou outra cena (“couplets”). Millôr Fernandes manteve na sua tradução uma estrutura que lembra versos, quebrando as frases mais ou menos onde Shakespeare muda de linha, porém não empregou nenhum metro específico (ou seja: verso livre); conservou, aqui e ali, as rimas dos dísticos finais.
 ་ 🗡 ་ O resultado é uma tradução quase em prosa, mas com disposição e algum ritmo de poema. No “To be or not to be”, monólogo assaz famoso do terceiro ato (que muitos confundem com a “cena da caveira”, do quinto), pude perceber bem os versos de Millôr acompanhando os de Shakespeare — se não na métrica, seguiam-nos ao menos na sequência das palavras e na variação das intensidades.
 ་ 🗡 ་ Quanto ao emprego do idioma, o português de Millôr contém uma porção de coloquialismos, porém misturados com o uso correto da 2ª pessoa do singular e do plural, e com um vocabulário nem sempre correntio, às vezes até raro (“boldrié”, “talabarte”). Tal combinação parece-nos propositada, de alguém que conhece as regras que transgride; talvez o critério de Millôr seja cênico, buscando falas mais fáceis de pronunciar. Tenho minhas dúvidas quanto à legitimidade de aventurar-se em certas construções gramaticalmente reprováveis, como “Mandei ela” ou “Me diz, Laertes…”, mas não nego que a tradução seja muito fácil de “ouvir” durante a leitura.

 ་ 🗡 ་  O resultado é uma espécie de poema prosaico (antípoda da “prosa poética”), fácil de acompanhar e muitas vezes certeiro em reproduzir o efeito almejado por Shakespeare — como em certos jogos de palavras e cenas de humor. É uma boa edição para compor o “coquetel” de traduções que devemos ler no intuito de alcançar, num segundo momento, uma boa experiência com o original¹. Se um tradutor é quase sempre um traidor, a leitura de diversas traduções permite, por outro lado, compor uma idéia bastante satisfatória da obra.
 ་ 🗡 ་  O livro tem um ou outro defeitinho, mas merece ser comprado e lido. QUATRO ESTRELAS
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THIAGO E. L. G.
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[¹] V. o texto indicado na área de comentários, abaixo.
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