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Avaliado no Brasil em 25 de junho de 2020
Não há críticas à excelente obra de Robin Diangelo. Esse é, sem dúvidas, um livro fundamental pra nós brancos, que toca na ferida, gera um desconforto extremamente urgente e necessário, expondo a farsa da branquitude. Quanto à edição brasileira, há um ponto crucial que me impede de avaliá-la com 5 estrelas:

O título original da obra é "White Fragility - Why it's so hard for white people to talk about racism", que seria facilmente traduzido para "Fragilidade Branca - Por que é tão difícil para pessoas brancas falar sobre racismo". Em vez disso, numa escolha totalmente omissa e covarde, preferiu-se utilizar uma paráfrase de uma citação de Angela Davis que é amplamente replicada: "Numa sociedade racista, não basta não ser racista, é preciso ser antirracista." A autora da frase, aliás, sequer foi creditada em momento algum. A fragilidade branca acabou se tornando um "sub-sub-título" impresso na folha de rosto (foto 1), e o sub-título original virou apenas uma chamada na orelha. Ora, não há problema na excelente frase de Angela Davis, mas ela foi usada aqui como mero artifício sensacionalista. Com uma capa que mais parece um post de Instagram e evita o desconforto que o título original causa, a Faro Editorial decidiu exprimir exatamente a fragilidade branca que Robin Diangelo denuncia em seu material. A capa original, além do forte título que vai direto ao ponto e toca na ferida da branquitude, traz uma tipografia rachada; é uma capa com significado e em total sintonia com a obra. Por que então a editora decidiu que os brancos brasileiros não seriam provocados da mesma forma?

A edição também traz uma falha grosseira de impressão, que manchou diversas páginas (foto 4). Não só isso, há um erro absurdo de tradução na página 68 (foto 3), onde o termo "racismo AVERSIVO" foi traduzido para "racismo REVERSO". Veja, o parágrafo que contém o erro termina introduzindo o tópico posterior, que foi traduzido de forma correta logo em seguida. É um erro grotesco e prejudicial ao entendimento do assunto, já que "racismo reverso" sequer existe e tem sua ideia amplamente combatida por movimentos antirracismo.

Enfim, só optei por comprar a edição brasileira porque não teria uma leitura tão fluida e rápida em inglês, mas o título nacional é uma decepção e um cúmulo tremendo, pois é ele mesmo uma própria manifestação da fragilidade branca. Espero que seja banido nas próximas edições, ou que outra editora com mais coragem e coerência possa relançá-lo com o título que lhe cabe.
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3,0 de 5 estrelas Obra excelente, edição brasileira covarde e omissa
Por Gabriel C. em 25 de junho de 2020
Não há críticas à excelente obra de Robin Diangelo. Esse é, sem dúvidas, um livro fundamental pra nós brancos, que toca na ferida, gera um desconforto extremamente urgente e necessário, expondo a farsa da branquitude. Quanto à edição brasileira, há um ponto crucial que me impede de avaliá-la com 5 estrelas:

O título original da obra é "White Fragility - Why it's so hard for white people to talk about racism", que seria facilmente traduzido para "Fragilidade Branca - Por que é tão difícil para pessoas brancas falar sobre racismo". Em vez disso, numa escolha totalmente omissa e covarde, preferiu-se utilizar uma paráfrase de uma citação de Angela Davis que é amplamente replicada: "Numa sociedade racista, não basta não ser racista, é preciso ser antirracista." A autora da frase, aliás, sequer foi creditada em momento algum. A fragilidade branca acabou se tornando um "sub-sub-título" impresso na folha de rosto (foto 1), e o sub-título original virou apenas uma chamada na orelha. Ora, não há problema na excelente frase de Angela Davis, mas ela foi usada aqui como mero artifício sensacionalista. Com uma capa que mais parece um post de Instagram e evita o desconforto que o título original causa, a Faro Editorial decidiu exprimir exatamente a fragilidade branca que Robin Diangelo denuncia em seu material. A capa original, além do forte título que vai direto ao ponto e toca na ferida da branquitude, traz uma tipografia rachada; é uma capa com significado e em total sintonia com a obra. Por que então a editora decidiu que os brancos brasileiros não seriam provocados da mesma forma?

A edição também traz uma falha grosseira de impressão, que manchou diversas páginas (foto 4). Não só isso, há um erro absurdo de tradução na página 68 (foto 3), onde o termo "racismo AVERSIVO" foi traduzido para "racismo REVERSO". Veja, o parágrafo que contém o erro termina introduzindo o tópico posterior, que foi traduzido de forma correta logo em seguida. É um erro grotesco e prejudicial ao entendimento do assunto, já que "racismo reverso" sequer existe e tem sua ideia amplamente combatida por movimentos antirracismo.

Enfim, só optei por comprar a edição brasileira porque não teria uma leitura tão fluida e rápida em inglês, mas o título nacional é uma decepção e um cúmulo tremendo, pois é ele mesmo uma própria manifestação da fragilidade branca. Espero que seja banido nas próximas edições, ou que outra editora com mais coragem e coerência possa relançá-lo com o título que lhe cabe.
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